As nossas memórias agarram-se às paredes das
nossas casas e, como escreveu Ruy Belo, só as casas explicam que exista uma palavra como intimidade. As nossas memórias, a pele, essas casas, trazemo-las
connosco quando saímos, mesmo depois de uma nova pintura.
As nossas
casas são coisa única. Provavelmente, é onde queremos estar e onde nos
querem.
Mudar de
casa, nem que seja por alguns dias, deixa-nos viver de maneira diferente. As
casas têm uma gramática própria, dizem-nos onde está o sol, onde devemos ler,
qual é o canto para jantar ou para pensar e o que sentir. Obrigam-nos a um
corpo a corpo com as coisas, a um esforço de compreensão que nos constrói mais
uma casa, mais um espaço de intimidade.
Our memories cling to the walls of our
houses and, as Ruy Belo wrote, "only the houses explain that there is a word
like intimacy". Our memories, the skin, these homes, we bring them with us when
we left, even after a new paint job.
Our houses are only one. Probably, is
where we want to be and where we are wanted.
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