terça-feira, 1 de outubro de 2013

CASA



As nossas memórias agarram-se às paredes das nossas casas e, como escreveu Ruy Belo, só as casas explicam que exista uma palavra como intimidade. As nossas memórias, a pele, essas casas, trazemo-las connosco quando saímos, mesmo depois de uma nova pintura. 
As nossas casas são coisa única. Provavelmente, é onde queremos estar e onde nos querem. 
Mudar de casa, nem que seja por alguns dias, deixa-nos viver de maneira diferente. As casas têm uma gramática própria, dizem-nos onde está o sol, onde devemos ler, qual é o canto para jantar ou para pensar e o que sentir. Obrigam-nos a um corpo a corpo com as coisas, a um esforço de compreensão que nos constrói mais uma casa, mais um espaço de intimidade.

Our memories cling to the walls of our houses and, as Ruy Belo wrote, "only the houses explain that there is a word like intimacy". Our memories, the skin, these homes, we bring them with us when we left, even after a new paint job.
Our houses are only one. Probably, is where we want to be and where we are wanted.
Move house, even for a few days, let us live differently. The houses have its own grammar, tell us where is the sun, where we read, which is the corner for dinner or to think and what to feel. Oblige us to a melee with things, to an effort of understanding that build us another house, one more space of intimacy.

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